O silêncio e a fé

Quando o campanário da igreja se desfez
os aldeões viveram com o barulho dos sinos nas bocas
um som insolente que pedia numerário.

Até à sua reconstrução
o campanário dormiu com os badalos carentes
entre a lama e umas couves galegas.

Um par de caracóis ali elegera a sua pátria
e os aldeões não mais ouviam a fé.

Reerguido o sineiro
os aldeões recordaram o som dos badalos
cozeram novamente as bocas
e perseveraram nos seus antigos hábitos.

Ouvir a fé até morrer.

Theófilo de Amarante (Fernando Oliveira)