O barulho e o silêncio

Tudo frui no barulho que ninguém decifra
do respiro das entranhas da terra
aos suspiros nos salões do paraíso.
Tudo conspira para que o barulho seja maior
a ideia vicia-se na glorificação da causa
que toureia até vencer o oráculo.
Como o fogo que está dentro do fogo não se consome
e a água dentro da água não se evapora.
O choque entre o silêncio e o barulho produz inferências
e entre a água e o fogo produz nevoaça.
Tudo se extingue no silêncio que ninguém elogia
intangível e transitória sensação
desde a origem ao mundo surdo.
Tudo contribui para fecundar o silêncio abstruso
dentro das leis da morte
e nas antecâmaras da loucura.
Eu nada ouço pois estou dentro do silêncio
mas barafusto pois estou dentro do barulho.

Theófilo de Amarante (Fernando Oliveira)